Allan Rasmussen diz que é
um homem simples, nós chamamos-lhe um homem que sabe o que quer. O chief designer da Prodesign sempre soube
que o design era a sua vocação, mas o
caminho até lá foi repleto de curvas e contracurvas. Desvios e atalhos que
teceram a sua capacidade de ampliar olhares apenas com lápis e caneta. Porque o
bom design tem essa capacidade
mágica, de destacar o que há de melhor nas pessoas. E essa é a missão de Allan
Rasmussen.
Esta história começa com
um optometrista e acaba com um designer.
Como passou da técnica para a arte?
Eu
sempre quis seguir este rumo do design.
Quando era mais novo, estava até mais virado para o design de moda. Mas sempre fui um pouco mais impaciente do que a
maioria das pessoas. Eu queria criar boa moda e bons produtos, mas foi muito
difícil para mim ir para boas escolas de arte, por causa do local onde nasci e
fui criado. Os estudantes de design
tinham 25/26 anos e eu tinha apenas 18, e queria continuar com a minha vida.
Por isso, estava basicamente a concentrar-me no ensino secundário que tinha e
em ver o que podia fazer com isso. Uma das áreas de formação que poderia seguir
era a optometria e, como sempre fui bom em matemática e nas áreas técnicas,
senti que podia ser um ramo interessante. Mesmo quando comecei a estudar
optometria, mantive sempre o design
na cabeça e acabei por pensar que poderia vir a tornar-me um designer de eyewear. Por isso, não foi uma coincidência. Foi algo premeditado.
Mas antes trabalhei como ótico, o que aconteceu por volta de 1991, e só em 1999
é que comecei a trabalhar na área do design.
Foram oito anos como optometrista e gerente de óticas que me proporcionaram o know-how necessário para conhecer o
mercado por dentro.
O que faltava ao design de óculos antes de começar a
desenhar eyewear?
As
ideias conceptuais do eyewear eram
boas, mas o que eu acho que fazia falta, para ser honesto, era algo tão simples
como bons formatos e cores. Senti muitas vezes que as armações eram boas para a
montra ou para a prateleira mas não para a cara. Eu estudei a cara muito
cuidadosamente e sinto que foi muito fácil para mim fazer melhor que muitos dos
concorrentes, mesmo desde o inicio, porque eu compreendia a “cara”. E isto é o
que eu tento realmente transmitir aos designers à minha volta e isso foi o que
eu quis mudar quando comecei. E, para ser honesto, continua a ser aquilo em que
acredito.
Os óculos perfeitos fazem
o rosto perfeito…
O
importante não é, nem deve ser, a armação, mas sim a pessoa. Deve ser algo que
faça os amigos e colegas dizer “Meus Deus, tu ficas bem com esses óculos!” e
não “Meu Deus, esses óculos ficam-te bem”.
Leia a entrevista completa na LookVision 41