O
segmento retalhista da ótica, na sua generalidade, tem nas lentes oftálmicas a sua maior fonte de vendas, mas
numa sociedade sempre mais intensa e exigente e com a supremacia da imagem a
impor-se, assegurar uma solução para além dos óculos pode ser importante. Tem
sido este o grande chamariz dos consumidores para as lentes de contacto.
Ainda há
poucos anos representava um produto de difícil acesso, pelas soluções limitadas
que proporcionava. Porém, a ciência e a indústria debruçaram-se sobre esta
resposta à acuidade visual, que em alguns casos tem também uso terapêutico. De
rígidas a maleáveis, de limitadas nas graduações a aplicações amplas, de
incómodas a verdadeiras “poças” de conforto oxigenado, as lentes de contacto
estão no centro das conquistas do setor.
Abrimos
aqui então as páginas da LookVision Portugal à “voz” de quem investiga e corre
atrás de soluções vanguardistas e abrangentes, das empresas que usam esta
informação para produzir verdadeiros “focos” de futuro e ainda aos embaixadores
primordiais deste segmento: os óticos.
As
lentes de contacto em números
Os
investigadores ligados à saúde visual da Universidade do Minho vêm avisando
desde as primeiras Jornadas de Contactologia que este mercado têm um potencial
e crescimento sem igual no mercado da ótica. De facto, diferentes estudos de
diferentes fontes demonstram que só uma ínfima parte da população amétrope
recorre às lentes de contacto.
Segundo a
Vision Needs Monitor, Market Probe de 2015, entre uma amostra de 2004
portugueses, estimou-se que 68 por cento da população portuguesa usa óculos e
metade tem mais de 44 anos. Destes, só sete por cento usa lentes de contacto e
83 por cento nunca sequer experimentou esta opção, sendo que 22 por cento deles
não imagina colocar um corpo estranho no olho. Importante referir que 10 por
cento afirma que o seu ótico não recomendou o uso das lentes de contacto.
O dado
central deste inquérito está nos 26 por cento das pessoas que nunca
experimentaram lentes de contacto, admitem estar dispostos a experimentar a
curto prazo, caso a graduação esteja disponível, e 24 por cento pensa fazê-lo
no futuro. Interessante é também o número elevado de usuários com menos de 24
anos, 31 por cento, e que grande parte dos seguidores do produto são mulheres,
61 por cento.
O
abandono centra-se nos 10 por cento de utilizadores, 30 por cento dos quais por
desconforto e irritação, 17 por dificuldade de manuseamento, 11 por
dificuldades de visão e nove pelo preço. Entre quem adere às lentes de
contacto, 58 por cento usa esféricas e 32 por cento tóricas, 76 por cento
mensais/quinzenais e 16 por cento diárias.
Já o
International Contact Lens Prescribing Survey Consortium, do qual a
Universidade do Minho faz parte desde 2007, referiu a assimetria das faixas
etárias dos utilizadores. representando mais de 15 por cento dos estudantes
universitários e muito abaixo desse valor em faixas etárias mais precoces e
mais avançadas.
Contudo,
esta realidade está a mudar com a crescente adaptação de lentes de contacto a
crianças antes dos 12 anos com o intuito de diminuir a progressão da miopia e
em pacientes de mais de 45 anos para a correção da presbiopia. Este último
segmento domina e tem feito aumentar a idade média dos usuários de lentes de
contacto nos últimos anos de um modo mais expressivo nalguns países como o
Canadá, Reino Unido, Estados Unidos e mesmo Portugal.
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