A revista científica Nature publicou em março
dois artigos que comprovam a eficácia de uma nova técnica cirúrgica com células
estaminais. Os dois grupos internacionais de pesquisadores aplicaram
experimentalmente a nova terapia em 12 crianças com catarata congénita, fazendo
com que elas recuperassem a visão.
Considerada a principal causa de cegueira no
mundo, a catarata compromete a transparência do cristalino, parte do olho que
funciona como uma lente, tornando a visão desfocada. Atualmente, a cirurgia de
catarata consiste na remoção do cristalino e sua substituição por uma lente
artificial intraocular.
Com a nova técnica, os cientistas mostraram
que é possível remover o cristalino opaco, preservando determinadas
células-tronco. Isso permite que as células do cristalino se regenerem,
dispensando a instalação da lente artificial.
Num dos estudos, os cientistas demonstraram o sucesso
do método, com a regeneração bem-sucedida do cristalino, em coelhos, em macacos
e finalmente nas 12 crianças com catarata.
Segundo os autores, as crianças tratadas com o
novo método - todas com menos de dois anos de idade – precisarem um mês para
recuperar da cirurgia e tiveram a transparência dos olhos aumentada em 20
vezes, em comparação com crianças que realizaram a cirurgia convencional.