Este criador de
Barcelona concedeu à LookVision Portugal uma conversa franca e enriquecedora
sobre os meandros da construção de uma marca mundial, que teve origem nos seus
sonhos e intenso trabalho. Xavier Garcia é a forma simples de expor ao mundo os
ideais do artista homónimo que viajou pelo mundo para aprender a construir os
seus próprios óculos com esmero e originalidade.Embora de origem
espanhola, a insígnia tem maior visibilidade do centro da Europa, graças aos seus
recortes especiais e lida agora com uma nova era, em que o sucesso repentino
impele à mudança.
Em quantos países têm hoje presença?
Em bastantes já! São eles Espanha, França, Itália,
Grécia, Turquia, Holanda, Bélgica, Croácia, Polónia, Canadá, EUA, Austrália e
Alemanha. Digamos que todos os anos crescemos mais, cerca de 20 por cento. Em
Portugal ainda não surgiu oportunidade de estar, porque na realidade não
procuramos nada, as oportunidades é que se colocam perante nós. Não corremos
atrás.
Por outro lado, tudo isto significa que o âmago da
Xavier Garcia se alterou. Ou seja, toda a minha vida trabalhei só como freelancer e desenhador e não tenho
formação em gestão, no entanto tenho que assumir o crescimento da empresa e
contratar pessoal e não é fácil assumir e gerir todo este “frenesim”. A minha
forma de lidar com isto é manter a calma e dar um passo de cada vez.
Hoje existem muitas marcas independentes no
mercado. O que distingue a Xavier Garcia e que no fundo lhe permite ter tanto
sucesso no mercado internacional?
Fazemos óculos que são fáceis de usar e que de
alguma forma são únicos.
O que o inspira na criação destes desenhos
cómodos e originais?
As minhas peças são um exercício de estruturas
construtivo. É disso que gosto. A linha Skins, por exemplo, é uma espécie de
duas peles, uma interior e outra exterior. São leves e jogam com volumes e
superfícies. Tenho outra linha que espelha um desenho 3D, num trabalho
semelhante ao que fazem os desenhadores com os automóveis. Outra evidencia mais
as superfícies horizontais. A todas estas construções acresço a preocupação
técnica de que a montagem da lente seja fácil para o ótico. Os Xavier Garcia
são super funcionais e são construídos para respeitarem os ângulos na inclusão,
por exemplo, de lentes progressivas, que doutra forma retira a eficácia da
visão. Tecnicamente são muito bem pensados.
E os nomes das armações de onde vêm?
São apelidos espanhóis de mulher na linha feminina
e nomes espanhóis de homem para a linha masculina.
Que planos tem para o futuro da Xavier Garcia?
Não tenho ideia (risos). O mais difícil é viver o
crescimento da empresa, mas não tenho pressa e não pretendo ser enorme e
conquistar o mundo. O que gostaria é continuar a crescer de forma paulatina e
saudável e ter tudo controlado. Vender em todo o mundo é perfeito sim, mas
desta forma.
Entrevista completa na LookVision Portugal 51